quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Urbanização das Cataratas

Coloquei este texto com propósito de linkar. Eles está junto com outros textos neste Blog que é uma espécie de Armazêm da Proudção e contém textos de 2005.

Urbanização das Cataratas


Sem dúvida - Se tem coisa que o Plano de Revitalização do Parque Nacional do Iguaçu fez foi urbanizar as Cataratas do Iguaçu. Tirar as Cataratas do Iguaçu do meio selvagem e colocá-la no meio urbano o que inclui levar para aí todos os seus problemas. Colocá-la na mesma posição que o Parque Unipraias de Camboriú ou a na posição das atrações turísticas do estilo Curitiba.

As agulhas - Isso fica bem claro em um livro escrito pelo ex-governador Jaime Lerner. O livro se chama a Acupuntura Urbana (compre!). O terapeuta acupunturista é o ex-governador. O que o terapeuta de cidades faz é escolher alguns pontos decadentes ao longo de alguns meridianos da cidade e enfiar as suas agulhas. Os lugares decadentes reagem, se revitalizam.

Meridianos curitibanos - Em Curitiba, um paciente ideal para o acupunturista urbano, os locais decadentes que acompanharam o meridiano lerniano de recuperação, por onde fluiam ou não, as energias da cidade são: o meridiano do transporte público com a criação das estações tubos, dos ligeirinhos, dos canais de circulação dos ônibus. Está também a área decadente do Centro onde foi feita a Rua 24 horas e segue pelos Parques Tingá, Tingüí, Birigüi, Ópera de Arame, Jardim Botânico, Pedreira e outros belos locais na bela capital do Paraná. Tudo graças ao acupunturista de cidade.

Acupuntura no Oeste - Mas a acupuntura não vai servir para tudo. A região Oeste do Paraná, assistiu de camarote o fracasso das terapias lernianas. Foi quando o acupunturista de cidade transferiu o método de tratamento das redes urbanas de meridianos bloqueados, para o meio rural ou, no caso de Foz, para o meio natural. Não deu certo. Não saiu a transformação do Paraná.

Exemplos em Foz - O Espaço das Américas é um destes espaços. O Marco das Três Fronteiras estava, na época, decadente. E continua. O acupunturista acertou a área geral onde podia está o ponto de acupuntura. Mas não acertou o ponto exato. Mas temos outros pontos em Foz e região: os meridianos ao longo do Lago de Itaipu. Exemplo de ponto de acupuntura desperdiçado: a Base Náutica de Foz do Iguaçu. Quer outro? Aquele na BR 277 onde o acupunturista fez um edifício para humanizar, controlar, corrigir o tráfego (e morder) os sacoleiros. O lugar seria chamado de Portal da Foz. Não deu certo!

Parque da Barragem - O grande Parque da Barragem projetado (graças a influências fantásticas) para a área de Itaipu e onde deveriam ter ocorrido as provas de canoagem dos Jogos Mundiais da Natureza entre os dias 27 de setembro e 4 de outubro de 1997. Gorou! Até hoje o Grande Parque não saiu. Saiu é claro o Parque Aquático de Desova de Peixes. Esse foi outro exemplo de agulha espetada no lugar errado.

Ligeirinho devagar - E o ligeirinho em Foz? Parece cedo para julgar se o Ligeirinho, em Foz do Iguaçu, foi um acerto ou não.

Furadores do PNI - Nos resta, agora a Área de Visitação das Cataratas no Parque Nacional do Iguaçu. Talvez se possa contar, nos dedos, as pessoas, em Foz do Iguaçu, que saibam exatamente qual foi o papel do acupunturista de cidades na “revitalização” pontual do PNI. Foi grande! E envolveu o acupunturista em pessoa. O Ibama curitibano de Jonel Iurk; seus representantes no PNI entre eles Julio Gonchoroski e crias menores; uma conexão brasiliense federalizante com Gustavo Kraus junto com o seqüestro da Direção de Meio Ambiente do Ibama (DIREC) em Brasília por um discípulo do acupunturista de cidades chamado Jonas Soavinski. Hoje ele e o Julio Gonchoroski tentam exportar o modelo.

Fedor nas Cataratas - Deu no que deu. A acupuntura urbana deu ares de urbano às Cataratas do Iguaçu. Levou um insustentável cheiro de esgoto para a região do elevador e do Salto Floriano. Deu ares de shopping meio-urbano e meio caipira à região. Hibridizou tudo. A qualidade da visitação ao Parque Nacional do Iguaçu está em perigo. E anuncia-se que para Ecoturismo, mesmo, a cidade não serve. Mas isso é uma outra questão.

Uma pergunta - O que é a qualidade de visitação que o Plano de Manejo do PNI cita tantas vezes?

Miopia olfática e leitura recomendada - Não deve ser o mau cheiro. O barulho. A exploração dos preços e outras coisas. O pior é que ninguém reclama desse cheiro perverso. Existem surdos. Mudos. Cegos. Mas como se chamam aqueles que, como eu, perderam o olfato? Procure o livro do Acupunturista de cidades nas boas livrarias do Brasil. Mas não tente curar a perda de olfato, ou da consciência, com as agulhas dele.

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