sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Tietê e os erros do passado



As enchentes em São Paulo, nas marginais dos rios Tietê e Pinheiro são um prato cheio para os programs de TV. Dá muita audiência. Muita gente já se elegeu às custas das enchentes. Mas veja a seguir o texto retirado de uma palestra feita pelo arquiteto Ruy Ohtake em São Paulo. O tema da palestra foi "FURA-FILA: ASPECTOS URBANÍSTICOS E ARQUITETÔNICOS". A foto mostra o rio, a marginal e São Paulo.Já darei o crédito da foto. Não é minha. O textinho é um exemplo do que não se fala na mídia.


"...Foi um erro urbanístico: com a canalização do rio, à medida que foram feitas as duas marginais, a cidade que não ocupava essa área - que ficou seca - acabou ocupando.

Não é a toa que, quando a Luiza Erundina era prefeita da cidade, o pessoal atacou muito as invasões. E a Luiza Erundina dizia assim: "Mas gente, vocês estão preocupados com as pequenas invasões? E as grandes invasões que foram feitas na retificação do rio Tietê?" Porque a Constituição Brasileira diz que "é do estado toda área de inundação do rio mais 33m", ou seja, estas faixas seriam do Estado. Foi a maior invasão urbana que existiu em São Paulo, dos grandes proprietários de terra.

Todos vocês conhecem as escrituras de até recentemente que diziam assim: Se tenho uma propriedade que vai até o rio Tietê, a frente tem 150m, a lateral direita X até o rio, a lateral esquerda vai não sei de onde até o rio. Na hora em que se retificou o rio e ele ficou mais para atrás, o texto da escritura garantia que você fosse ganhando a terra. É uma leitura imediata. O correto é o que está na Constituição. É claro que os grandes proprietários não quiseram saber da segunda lei; quiseram saber da primeira.

Houve, então, toda esta invasão. Então, o projeto do Parque Ecológico do Rio Tietê foi esse: afastar a Marginal dos dois lados, deixando o Rio correr de forma livre, enriquecendo a sua margem e áreas verdes, áreas esportivas, para uso da população. No projeto algumas matas foram preservadas; neste ponto havia uma água razoavelmente limpa..."

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