quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A dialética aplicada ao meio de vida! Neoliberais & Humanos

Um filósofo alemão chamado Wilhelm Friedrich Hegel criou uma teoria imbatível. Se chama dialética. Quer dizer como um diálogo. Neste método as coisas funcionam assim: primeiro há uma tese. Exemplo uma tese que diz “Deus (o de Israel) é vingativo”. Daí anos depois apareceu Jesus que disse: “Deus é amor”. O que Jesus fez foi uma anti-tese. Ele disse exatamente o contrário. Hegel chamou isso de “antítese”. É claro que os dois lados brigam e é na luta entre a tese e a antítese que nasce a “síntese” que diz (por exemplo) Deus não é nem bom nem mal. Deus é e pronto.

Bom este é um exemplo bem porco do que seria uma luta dialética. Muito bem. O que isso tem a ver com Foz do Iguaçu e o seu turismo, comércio e dignidade de seus habitantes?

Vejamos algumas teses em questão. Tese dos neoliberais: acabou o emprego só os competentes sobrevivem. Com esta tese, os neoliberais querem privatizar tudo, querem dominar tudo. E o Governo se rende e entrega a Amazônia (já está entregando neste momento), quer entregar os parques nacionais (Iguaçu / Iguazu são Modelos, Machu Picchu, também), quer empresas multinacionais etc.

Daí há a antítese do ecoturismo baseado na ecologia e um monte de idéias modernas, pós-modernas que diz: “Devemos gerar empregos e todos têm o direito à sobrevivência digna”. Entendeu?

O neoliberal diz: as grandes redes internacionais devem se instalar porque trarão mais turistas e blá-blá-blá. O ecoturismo, o ambientalismo, diz que o turismo deve ser segmentado, de qualidade, deve preservar o “atrativo” tão próximo a seu estado natural quanto possível, deve preservar a cultura do local e beneficiar a população local acima de tudo.

Mas esta guerra dialética se reflete também nas organizações internacionais. Vejamos por exemplo (de novo) as organizações do sistema ou família das Nações Unidas. Há um sistema de organizações nas Nações Unidas. Parte é da tese dos neoliberais e outra parte é dos “humanitários”. Lá vai: FMI e UNICEF, Banco Mundial e FAO, Organização Mundial do Comércio (OMC) e

Organização Mundial da Saúde (OMS). Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU (DUDH) e Acordo Multilateral de Investimentos (AMI clique aqui e aqui e aqui para saber mais). Como a dialética de Hegel age nessa família?

Assim: FMI promove arrocho financeiro e a fome, o desemprego, a desumanização. A Unicef tenta salvar as crianças da fome e desestabilização provocada pelo FMI e seus primos.

O Banco Mundial é irmão do FMI, apóia os arrochos, financia projetos faraônicos, monocultura, evasão do campo. A FAO alerta para os perigos da monocultura, da seguridade alimentar e coordena planos de emergências em todo o mundo enfrentando todos os dias o avanço da OMC.

É a OMC quem prepara o mundo para o próximo e final ataque neoliberal (antes da falência) contra a OMS responsável pela saúde no mundo.

E a DUDH? A Declaração diz que todo homem (mulher também) nasce livre, tem direitos inalienáveis etc. A AMI dá a entender que se o homem ( e a mulher) têm direitos então o investimento-dinheiro estrangeiro (como pessoa jurídica) também tem e nada pode ameaçar o direito do investimento. Por exemplo, se uma fabrica de qualquer país que invista nas Três Fronteiras começar a causar câncer, a empresa não pode ser processada. O direito (AMI) é supranacional. A Fábrica pode processar o País que pode ser multado, penalizado e até invadido militarmente. (Sobre o AMI, a Editora Vozes lançou um pequeno folheto chamado “Alerta à Nação”)

Bem aqui cumpro meu dever de “porcamente” dizer o que eu tenho que dizer. Foz deve “dialeticamente” dizer o que quer. A tese. A antítese ou a síntese. Não pode não pensar. A antítese da globalização é a localização. A síntese é o internacionalismo, a globalização humanitária no sentido planetário (O Planeta é um globo, não é?) sem a dominação à força de um mono-cérebro. A síntese é não deixar o local morrer sob o peso do globalizado e manter-se aberto mas protegido. A globalização puramente econômica exige a unidade de visão e propósitos. A antítese é a localização que se baseia na ecologia local (biorregião), cultural local, distribuição em vez de concentração, multiculturalismo em vez de monoculturalismo, empregos locais, o local valorizado etc.

Bem, acho que basta, não é? E Deus lhe proteja do mono-pensamento cultural e no que se refere a mim, há coisas que eu não gostaria de ver: a Varig (A Aerolíneas foi vendida para os espanhóis e deu no que deu) comprada pelos portugueses, um grupo estrangeiro vencedor da licitação-entrega petista servindo café-da-manhã no acesso às Cataratas no Parque Nacional do Iguaçu; um grupo de marines porres no La Barranca às 4 da manhã brigando por namorada (eu já vi isso e é feio); a Infraero concessionada para a Aeropuertos Argentinos, a Itaipu nas mãos da World Energy Corporation (Nome fictício, viu AMI?) e a Usina de Corpus construída. Mas tem muio mais que eu não gostaria de ver como as Cataratas transformadas em uma Disneilândia.

Obs.: Este texto foi publicado como Notas do Turismo, 54, segunda-feira, 1º de agosto, 2005. Foi republicado no H2foz.com.br e deve ter rodado o munod. Recolo-o aqui para reafirmar que ainda penso o mesmo! Na época desse texto ainda não havia chegado a quebra financeira chamada crise!

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