quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Aquecimento ou esfriamento global pode não ter causas humanas

Com homem ou sem homem, o planeta passou por muitas eras glaciais; estas e outras teorias estão sendo apresentadas na Reunião das Américas


Edmundo Camilo e Juliana Quadros entre uma palestra e outra, descanso para Sofia

Jackson Lima
Foto: Kiko Sierich


O casal Edmundo Camilo e Juliana Quadros, do Laboratório de Paleo-oceanografia do Atlântico Sul (LaPas) da Universidade de São Paulo, destaca que as mudanças do clima sempre existiram. A equipe estuda sedimentos de microplânctons depositados no fundo do mar, que permitem entender as mudanças no clima no último milhão de anos. É aí que acontece a disputa entre os que creem que o aquecimento global está sendo causado pelas atividades humanas e os que acham que o aquecimento e enfriamento são partes de um ciclo natural", afirma Camilo.

"O assunto é polêmico. Mas nós cremos que as mudanças sempre existiram. As atividades humanas contribuem para as mudanças, mas não na escala planetária", lembra Juliana Quadros. O casal de cientistas da USP lembrou que a poluição de São Paulo, sem dúvida, muda o microclima em cima da cidade. "Mas nós temos uma microfauna no oceano capaz de causar mudanças de temperatura dos oceanos em prazos muito mais curtos do que os humanos poderiam causar", lembrou.

"Contudo, o casal lembrou que isso não significa que possamos continuar com o estilo de vida que levamos e acreditar que nada precisa ser feito", alfinetou Juliana. O estudo é realizado pelo Laboratório da USP no oceano, trabalhando com material coletado há pelo menos mil metros de profundidade. "Nós trabalhamos com microplâncton, uma microfauna que é a base da cadeia alimentar dos oceanos", disse Juliana.

"Como o microplâncton é uma alga microscópica que tem um corpo formado de calcáreo ou carbonato de cálcio, quando ele morre, afunda e forma uma camada no fundo do mar. Nós fazemos uma perfuração nessa camada com até 20 metros de profundidade. Esta camada nos permite ver o que mudou ao longo dos milhões de anos, se era mais frio, qual era o nível do mar", explica Camilo.

Para ver os microplânctons, segundo Juliana, os pesquisadores usam um microscópio que aumenta 1.500 vezes. "Por isso, ele é a base da alimentação dos pequenos animais que também alimentam o camarão, que vai alimentar as baleias e toda a vida. Se o microplâncton acabar, tudo acaba", conclui. O casal de pesquisadores conversou com A Gazeta do Iguaçu durante o intervalo de uma das palestras e enquanto a filha Sofia dormia, alertou que o microplânton está desaparecendo do mar próximo a grandes cidades, por causa da poluição e que por isso, as pesquisas são realizadas em alto mar. "Tudo se resume ao esgoto não tratado. Já é uma questão social. Vemos grandes cidades brasileiras, onde só 45% dos esgotos são realmente tratados", conclui o oceanógrafo.

Publicado n'A Gazeta do Iguaçu de 10/08/2010

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