quarta-feira, 13 de abril de 2011

Parque Nacional do Iguaçu: menos onças e mais transgênicos

Este texto destaca duas notícias ruins

Notícia Ruim I

Um estudo recente realizado no Parque Nacional do Iguaçu revelou um dado chocante: Os cientistas não sabem quantas onças existem na Unidade de Conservação. O dado oficial afirma que a população de onças no Parque Nacional do Iguaçu é de 0,29 onças por 100 Km2. O estranho número mostra exatamente que a população de onças deve ser de "6 a 12 indivíduos para o Parque inteiro".
O estudo ganhou um prêmio importante de ONG atuante na área da ecologia. No release publicado, ficou claro que o prêmio foi para o (atual) Projeto Carnívoros do Iguaçu. Aí dou de cara com mais um fato triste: o texto usa a palavra atual. Se é atual, houve outro pelo menos um antigo Projeto Carnívoros. E posso assegurar que houve sim. No início da década de ’90, o biólogo Peter Crawshaw já estudava onças no PNI e em outras áreas do Brasil tanto dentro como fora de Unidades de Conservação. Eu mesmo entrevistei o Peter quando na época ele introduzia o monitoramento via coleiras (telemetria) com sinais de rádio. O projeto que ganhou o prêmio é o projeto de que começou em 2008. Minhas perguntas nesta hora são: por que o Programa ou Projeto de 1990 foi descontinuado? O que aconteceu neste período? Entre 1990 e 2008 são 18 anos. Tempo suficente para que as onças diminuam.


Notícia Ruim II
Li, assombrado, que o Conselho Consultivo do Parque Nacional do Iguaçu referendou o plantio de milho geneticamente modificado ou transgênico a partir de 1,2 mil metros do limite do Parque Nacional do Iguaçu. Até o há não muito tempo, o limite era de 10 quilômetros. Os envolvidos celebraram a vitória marcada na distãncia de 1,2 quilômetros porque já haviam sido discutidas propostas de chegar a 800 metros ou menos. A negociação sobre o assunto no Conselho foi feita em sigilo. Veja o que diz o site O Eco:

“A sociedade civil só teve conhecimento dessas negociações quando a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou este assunto em um de seus informativos”, afirma Ana Carolina Brolo de Almeida, advogada e representante da ONG Terra de Direitos, contrária à mudança.

O ICMBio ainda não têm uma posição oficial sobre a definição firmada na reunião do conselho. Jorge Pegoraro afirma que toda a documentação técnica produzida sobre o assunto foi encaminhada à Brasília, juntamente com a ata do encontro realizado no dia 22 de março. “Estamos aguardando a decisão do instituto, com a portaria que vai definir essa questão”, explica ele.

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