segunda-feira, 11 de abril de 2011

Somos todos beneficiários das guerras?

Foto: Helicóptero da Força Aérea Brasileira AB AH-2 Sabre, adquirido da Rússia, mundialmente conhecido como Mi-35, será exposto na LAAD 2011.

Começa amanhã, terça-feira, dia 12, no Rio de Janeiro, a maior feira de armamentos e equipamentos de defesa e segurança da América Latina a LAAD 2011 – Latin American Aero & Defence. Este ano a feira promete receber 55 delegações de 53 países além de 25 mil visitantes e 600 expositores da área de Defesa e Segurança. Este ano, haverá ainda uma área para o setor espacial. A feira acontece em dois momentos tensos: um para o Rio de Janeiro que presenciou, de calças curtas, a matança de jovens por um rambo local registrada no Realengo que custou a vida de 12 crianças e comprometeu o futuro de outros jovens e, o momento da Líbia. Vi na imprensa a uma nota e forneço link para o setor de clipping do site do Ministério do Planejamento para que você confira. 

No material Tim Hepher e Karen Jacobs da Reuters assinam artigo com o título: “Ação militar na Líbia se torna vitrine para mercado de armas”. Segundo o artigo, aviões de combate Rafale (França) e o Eurofighter Typhoon (Europeu) são as estrelas. Existe um comércio da guerra e ele é escancarado. Confusão, conflito e guerras são bons para os negócios. E eu? Estou julgando? Não. Estou só dizendo e isso me faz perguntar: quem sou eu? Não passo de um simples beneficiário das guerras. 

Aí saúdo e homenageio o grande escritor americano Saul Bellow* e me lembro de uma afirmação de um de seus personagens no livro "The Dangling Man" que, ao esperar a convocação da Marinha dos EUA viveu um ano sem fazer nada, no suspense. Ele era julgado e acusado de vagabundo e preguiçoso, gigolô e outros nomes dados a quem cremos que vive no mundo da lua. Escreveu o personagem em seu diário:

Com todo o respeito que parecemos ter com coisas perecíveis, nós nos tornamos facilmente acostumados com a carnificina. Somos todos, de alguma maneira, os beneficiários daquela carnificina e ainda assim temos pouca piedade das vítimas”.

Mais adiante, na mesma página, o reservista na espera conclui: “... Pessoalmente, eu preferiria morrer na guerra que consumir seus benefícios. Quando for chamado irei sem protestar. Claro, espero sobreviver. Mas eu prefiro ser uma vítima do que um beneficiário". Graças à indústria do armamento por trás do mundo militar e do mundo da segurança, nós hoje podemos nos beneficiar de toda a tecnologia disponível a preços acessíveis pagos em 12 X no cartão (chip). 

Temos esses aviões fantásticos com suas potentes turbinas cujas versões civis nos levam às férias em Aruba, celulares com GPS, internet, rede sociais, equipamentos científicos como o sonar, o radar e os satélites. Graças à segunda Guerra Mundial, hoje, no meu Observatório do Planeta e Ciências da Terra com sede em Foz do Iguaçu (ao lado meu banheiro) e utilizando gratuitamente os vários produtos Google Earth, You Tube, Facebook, Orkut e outras ferramentas de simulação posso entender o movimento das placas tectônicas. Claro que toda esta situação humana atual é um oxímoro. Vivemos oxímoros. Oxímoro é o conceito linguístico segundo o qual afirmações que se negam aparecem pacificamente juntas em uma frase.
Parte de propaganda incentivando viagens aéreas na revista Seleções em 1946
Exemplo: desenvolvimento sustentável, a indústria da guerra melhora a vida, desastres e oportunidades de negócio e muitos outros. Assim nossa relação com a guerra é de benefício direto pelo menos em termos de produtos e tecnologias que dela vieram, as vítimas, delas temos pouco piedade.


* Saul Bellow, ganhou o Nobel de Literatura em 1977,
The Dangling Man foi sua primeira obra publicada em 1944

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