segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os dejetos humanos e o Banheiro ou Sanitário Ecológico Seco

Aqui está o texto prometido. Atenção:
pode parecer grosseiro em algmas partes!


Defecar é uma função natural que pertence a todos os sistemas vivos. É uma função do universo. Todos os organismos defecam, excretam, expelem, fazem cocô, cagam. Todas as formas de vida, organismos do planeta eliminam o material para o qual o corpo não tem necessidade e o devolve à natureza. No ato de defecar, a grande maioria dos organismos vivos da Terra não prejudicam o meio onde vivem. Não causam destruição, poluição, morte, doença. Exceto a humanidade civilizada.

Só os humanos sentem desconforto com essa função tão importante. Não há notícias de elefantes que tenham tido desconforto com sua cagada. Os cavalos, as vacas, os cachorros, as galinhas, os cangurus, as amebas, as células todas “eliminam” o que não precisam mais para a manutenção do corpo. Igualmente, parece que só a humanidade classifica cocô como dejeto  quase sinônimo de lixo. Também só a humanidade apresenta problemas visíveis com o vocabulário utilizado para representar tais “dejetos”.

As crianças aprendem sobre cocô, popô, cacaca, tijolinho que passa a ser fezes, tolete, excreta, produtos da eliminação corporal e outros termos apenas para esconder outra família de palavras que incluem merda, bosta, cagada, vocábulos que são usadas em sentido figurado e deprecatório sobre nossa produção. O verbo que nomeia o ato é ilustrativo: defecar, obrar, para não dizer nunca cagar. As pessoas usam muitos termos como dar uma cagada, passar um rádio ou telegrama ou outros subterfúgios para não falar no ato proibido.    

É a mesma coisa em inglês – uma das línguas mais faladas por cagões de todo o Planeta – onde Shit (merda) também é um verbo. Prefere-se dizer “I am going to take a shit”  em vez de “I am going to shit”  (muito parecido com o brasileiro que diz “vou dar uma cagada”  para não dizer “vou cagar”. Esta é uma realidade inadmissível. Gente moderna não deveria cagar mais. Em alemão, scheissen é cagar e scheiss é merda. E assim em quase todas as línguas nas quais frases do tipo “preciso usar o toilet”  ou o banheiro, “el baño” ou o WC é muito normal.
O problema real da merda humana é que como função, ela perdeu a função. A “fese” é nossa verdadeira produção. Freud deu a entender que um de nossos primeiros atos dignos de orgulho foi a nossa primeira cagada consciente que serviu como glorioso arauto de nossa entrada na também gloriosa fase anal. Grandes problemas de nossa vida, tiveram origem exatamente em nossa experiência traumática com nosso primeiro ato de cagar.

Aquele ou aquela nenê bonitinho ou bonitinha de repente descobre que fez cocô. Fez aquele montinho de coisa que saiu dela, saiu de dentro dela. Seu primeiro produto. Ela espera receber elogios de toda a família. Palmas. Gritos de alegria. Ela espera receber força para que continue produzindo mais e mais. Coitada da nenê ou do nenê. A mãe, geralmente cropofóbica, se assusta. Faz uma careta e diz: não, não. Isso é cacaca! E limpa a sujeira enjoada.

A criança que começa a ter o controle do esfíncter – uma qualidade importante especialmente se ela quiser progredir para ser no futuro um profissional das atividades que exigem o controle (administrador, contador, auditor, e outros) – já  começa a ter dúvidas. Como não cagar para não desagradar a mamãe, o papai, a vovó, os tios, parentes, a rua, o bairro e todo o país? Impossível. A cagada vem, pode-se segurar e ter problemas vários que vai desde o entupimento até a prisão de ventre e outros problemas que a medicina do setor pode explicar melhor que eu e tratar melhor que eu por meio de métodos invasivos testados. Acaba de entrar em vigor a repressão.   
 
O Mestre Siegmund Freud estava certo ao descobrir que a criança vê sua primeira merdinha consciente como um importante produto. Creio que as nossa fezes são nossa principal e talvez única produção material. Ora, se alguém produz aço, não é ele quem produz. O aço quem produziu foi a terra. A Terra é a verdadeira produtora da maioria das coisas que acreditamos que produzimos. O que realmente produzimos é nossa excreta – que palavra feia, prefiro, nossa merda.

O que então está errado como nossa merda hoje? É a quantidade dela e o fim que damos a ela. A sábia criança sabia que o seu cocô era o seu produto. Nós deveríamos saber a mesma coisa. A Terra precisa de nosso cocô. É uma reciclagem. Nosso cocô é recebido pela terra com alegria. Ele será transformado em solo e produzirá mais vida. O que está errado hoje é como nós entregamos à Terra nosso cocô. As fezes não são entregues à terra – que dizer à parte seca do Planeta. Ao contrário, redes de tubos subterrâneos recolhem a merda produzida em todas as casas que estão conectadas ao sistema de “esgotamento sanitário” que faz parte do que se convencionou chamar de “saneamento” básico,

As fezes que caem na rede de “esgotamento” são levadas a estações de tratamento em quantidades medidas em toneladas e, estas toneladas são jogadas nos rios, lagos ou mares do Planeta na maioria dos casos com qualidade duvidosa de tratamento ou sem tratamento nenhum. Me parece apropriada a palavra “esgotamento” – é o que tal método me parece fazer à terra, ou aonde parece levar a Terra e seus sistemas vitais, levando a terra ao esgotamento. Patrick Rivers fala, em seu The Stolen Future, que só Nova York e Nova Jersey produziam, na época em que fez o levantamento, 9 milhões de toneladas por ano. E tem conseqüência? Claro que sim: 12 mil  quilômetros quadrados de vida marinha destruída a partir da desembocadura dos esgotos-rios. Está errado que toda a feze dos  humanos (5 bi ou +), termine nos rios que vão para os mares. Está errado transformar o mar em esgotos.
 
Fezes no meu  banheiro seco experimental 
Para não ficar só no choro e no lamento, proponho o uso do sanitário ecológico seco (SES). Para saber mais sobre o SES que é um projeto específico baseado em práticas do Vietnã e trazido ao ocidente graças a estudo financiado pela Suécia veja links (SES) ao lado. Nas Américas, o bastião do SES é o México seguido de El Salvador e Guatemala. Para a utilização do SES foram criados vários tipos de vasos sanitários que tem como meta separar a urina das fezes. É a mistura fezes-urina que causa o mau cheiro, a poluição e o mal estar generalizado do fedor de fossa.O SES chega a ser um movimento que vai muito além das preocupações ecológicas. È por isso que decidi começar a oferecer os cursos do SES – para que nós assumamos o que acontece com nossa excreta em nosso próprio terreno, em nossa casa, em nossa chácara. Desligue-se do sistema de saneamento que está destruindo as águas do Planeta. Na foto, acima, mostro, pela primeira vez na internet, uma foto de nossos produtos depositados em sanitário de compostagem onde não há uso de água. A aparência não é tão ruim assim! É? 









  

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