terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Na Véspera do 21 de 12 de 2012 - Fim do Mundo, fim de ciclos



A manchete dos noticiários de hoje foi a falta de água em Foz do Iguaçu. Havia racionamento e o Lago de Itaipu estava baixo. Muita gente comentou que estava faltando água na Terra das Águas. À tarde choveu como só se sabe chover em Foz do Iguaçu. Aquele vento poderoso que muda de direção 10 vezes por segundo. A chuva chove de cima para baixo, dos lados, cai horizontalmente e ocasionalmente chove para cima. As ruas ficam alagadas em minutos, tetos voam e se escuta o som dos estouros dos transformadores de eletricidade nos postes de luz. Quando parou de chover, coloquei a mochila nas costas e decidi ir para casa a pé. Foi tranquilo, o vento continuava soprando, relâmpagos riscavam o céu, trovões eram detonados e, na etapa final da caminhada, começou a chover ao longo da avenida República Argentina. Daí me veio à mente uma música-mantra xamânica popularizada pelo grupo mexicano Tierra y Cielo que diz:

Tierra mi cuerpo
Agua mi sangre
Aire mi aliento
Y fuego mi espiritu

Era o que precisava. Os quatro elementos estavam comigo e eu era os quatro. Sentia a terra nos pés, a água chovendo e caindo na minha cabeça e escorrendo, trovões e raios traçavam linhas luminosas no céu. A terra - meu corpo. A água, meu sangue. O fogo representado pelos raios e relâmpagos, o vento o meu espírito. No dia 21, ciclos foram encerrados. Terminou a primavera e começo o verão. Se falava tanto em fim do mundo que não notamos o fim de primavera que se despediu com a chuvarada. O verão entrou com a vida explodindo.    

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