domingo, 9 de fevereiro de 2014

CARTA DA COGNÓPOLIS 2011

PARA RESPONSABILIDADE PLANETÁRIA
Ações conscientes, efeitos sustentáveis



Nós, participantes do I Fórum de Responsabilidade Planetária da Cognópolis, reunidos no Discernimentum em Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil, de 28 a 30 de outubro de 2011, considerando o objetivo de sintetizar e registrar as ideias, propostas e conclusões decorrentes deste encontro, especialmente nas temáticas abordadas da habitação e construções, convívio com outros seres vivos e de maneira multidimensional, gestão, responsabilidade socioambiental, consumo, produção, alimentação, cuidados à saúde, educação e turismo, considerando a liberdade de pensamento, de juízo e de decisão de cada ser humano frente às opções de escolha ampliadas pelo esclarecimento e acesso a informação, assumimos nosso compromisso com a implantação e divulgação de uma sociedade exemplarmente sustentável e cosmoética, para as presentes e futuras gerações, de acordo com as seguintes diretrizes e ações:
1. Promover negócios sustentáveis, valorizando a educação financeira, a responsabilidade e educação fiscal, os critérios para as compras e para a formação e revisão de cadeias produtivas, construindo uma cultura de sustentabilidade na empresa mediante o uso do planejamento estratégico situacional, priorizando a atividade da economia local e os aspectos humanos.

2. Estimular a economia solidária, economia ecológica e orgânica.

3. Reconhecer a importância e gravidade da superpopulação no planeta.

4. Estimular o uso racional, social e eticamente correto da propriedade.

5. Adotar e disseminar novos padrões, sustentáveis, de produção, consumo e  alimentação, abolindo o consumismo (consumo irresponsável).

6. Exercitar a cidadania pela recusa do produto, processo ou resultado insustentável.

7. Sistematizar as experiências bem sucedidas amadurecendo e aprendendo com elas por meio do diálogo.

8. Reconhecer o papel da sociedade civil organizada nas mudanças globais a partir do soft-power e da cooperação com os demais setores.

9. Favorecer o intercâmbio e a sinergia entre as comunidades autossustentáveis através da criação de novas ágoras ou praças abertas na forma de feiras, locais de exposições, debates, cursos e eventos que tenham como foco principal a interação dos diversos paradigmas da sustentabilidade.

10. Reconhecer a importância das mudanças a partir do modo de vida, nas relações entre as pessoas e não apenas nas aparências das estruturas comunitárias como meio para a mudança de todo o planeta.

11. Promover a interdisciplinaridade, a visão sistêmica, o diálogo entre os saberes, o embelezamento e o diálogo com a comunidade, num processo de reeducação e ação contínua.

12. Priorizar a qualidade de ensino no sentido de promover melhoria social e ambiental numa perspectiva de longo prazo.

13. Buscar o compromisso governamental para a concessão de recursos adequados para a educação de qualidade (no mínimo 10% do PIB), especialmente no Plano Nacional de Educação.

14. Fomentar o compromisso consciencioso em relação às questões pró-ecológicas.

15. Respeitar, valorizar e crescer a partir de diferentes abordagens, paradigmas e pensamentos.

16. Incentivar o aprendizado vivencial do diálogo, indentitário e comunitário, que potencialize o agir individual e coletivo, para a formulação e implantação de políticas públicas comprometidas com o resgate de valores imateriais/espirituais na superação do atual modo de produção e consumo.

17. Reconhecer e promover um ajuste de contas histórico com o planeta a partir do nível de responsabilidade individual e grupal pelos problemas e colapsos ambientais.

18. Reconhecer a importância da ação local para as mudanças planetárias.

19. Atentar para a necessidade de discutir fins e meios de maneira cosmoética nos momentos e instâncias decisórias.

20. Realizar a integração energética no continente, otimizando o potencial instalado do sistema elétrico existente.

21. Assumir a responsabilidade compartilhada pelos destinos dos resíduos que geramos.

22. Oportunizar a autoconscientização quanto ao destino dos resíduos individual e coletivamente produzidos, aprendendo a considerar toda a cadeia produtiva na opção de consumo.

23. Conscientizar, através de programas, para o fato de a poluição sonora ser problema de saúde pública, individual, social e planetário.

24. Disseminar as práticas de construções ecológicas, por exemplo, por meio de materiais ecológicos, reaproveitamento da água, uso da energia e aquecimento solar.

25. Implementar a política da biomassa residual.

26. Empregar todas as técnicas disponíveis para compensar e minimizar o lançamento de carbono na atmosfera.

27. Implantar os 6 Rs: redução, reutilização, reciclagem, responsabilidade, respeito e recusa.

28. Cuidar e escolher aparelhos com menor consumo elétrico e de matérias-primas.

29. Propor o fim das armas de destruição em massa.

30. Evitar o uso de tecnologias que provoquem ou ampliem a exposição à poluição eletromagnética, tais como o uso de wi-fi em escolas e as cargas indutivas, e, nos casos necessários, empregar técnicas que minimizem seus impactos.

31. Promover o uso de tecnologias sustentáveis no reuso de água.

32. Disseminar e implantar a ISSO 26000 da Responsabilidade Social como forma de garantir que as decisões organizacionais sejam alinhadas com a sustentabilidade.

33. Divulgar e auxiliar na construção de marcos legais quanto à regulamentação da poluição eletromagnética.

34. Utilizar filtros transientes para baixa frequência e insulfimes, tintas e tecidos protetores da poluição eletromagnética e outros agentes patológicos.

35. Tomar e sustentar a autodecisão de não poluir o ambiente e a si próprio, seja por produtos químicos, substâncias tóxicas, contaminação eletromagnética, sons, bagulhos energéticos, rastros pensênicos patológicos, pensamentos, sentimentos e energias.

36. Ampliar a conscientização multidimensional, priorizando as experiências pessoais e energéticas de maneira a favorecer uma ponte com a para-humanidade.

37. Esclarecer e estimular a ortopensenização, o domínio das energias e do parapsiquismo visando à melhoria contínua da saúde, da memória e da paragenética.

38. Dominar e empregar as bioenergias para o aumento da lucidez na detecção de contextos insustentáveis, visando às ações responsáveis.

39. Promover a reeducação quanto às parapercepções, visando à autoconscientização multidimensional a fim de melhor desenvolver a cosmoética e a compreensão do fluxo do cosmos.

40. Estimular a coerência entre o que sabemos, acreditamos e fazemos.

41. Assumir a responsabilidade pelas redes neurais que imprimimos nos cérebros das pessoas e que permitimos que sejam impressas em nossos próprios cérebros.

42. Construir mecanismos de entendimento como humanidade, visando solucionar os desafios planetários comuns.

43. Tornar de conhecimento público as informações sobre contaminantes, venenos, agentes poluidores e insustentáveis de maneira a permitir a escolha consciente dos cidadãos.

44. Assumir a responsabilidade pela doença ambiental planetária a partir da recuperação de nossa própria saúde holossomática.

45. Implementar estratégias de atendimento de crianças, incluindo a assistência e reeducação dos pais, visando garantir ou preservar as faculdades de sua saúde integral, especialmente na primeira infância.

46. Promover o atendimento aos idosos preferencialmente em seus lares.

47. Promover a reeducação para os direitos fundamentais das gerações futuras, buscando uma nova compreensão da vida, não apenas pela longevidade, mas pela preparação de um planeta que permita um significativo avanço cosmoético da humanidade.

48. Promover a qualidade de vida a partir da prevenção da saúde, especialmente com a remoção de riscos previsíveis.

49. Multiplicar a quantidade e o cuidado com jardins, com plantas frutíferas e comestíveis de fácil acesso público.

50. Reconhecer e utilizar a importância do design para a concretização da sustentabilidade a partir de uma visão comunitária compartilhada.

51. Valorizar a educação, a reeducação e a cultura da iniciativa, da criatividade e da responsabilidade no desenvolvimento do ecodesign.

52. Reconhecer a vida como critério ético universal, impondo o respeito a todos os seres vivos, abolindo-se toda visão meramente utilitarista sobre a relação humana com os animais e vegetais.

53. Promover a conscientização pública para a importância do período da pré-concepção dos filhos para a saúde humana.

54. Aumentar nossa percepção da paisagem interna e externa de maneira a resultar na ressignificação ou aquisição de valores que qualifiquem a intencionalidade levando a uma nova interpretação e integração a paisagens, ambientes e ambiências.

55. Reconhecer o papel da auto-reeducação para a responsabilidade planetária.

56. Implementar um processo íntimo de auto-avaliação e auto-certificação de sustentabilidade, baseado em pesquisas e critérios pessoais conscienciométricos.

57. Disseminar a vivência sincera do trinômio motivação-trabalho-lazer decorrente da vida em comunidades sustentáveis.

58. Incentivar a modernização ecológica a partir de estratégias que favoreçam os atores a reconhecerem a pertinência da questão ambiental, com a construção de consensos gradualistas.

59. Promover a internalização dos custos e superação dos conflitos ecológicos distributivos.

60. Construir laboratórios de fito-energia, que favoreçam a conscientização e interação terapêutica e multidimensional com a natureza.

61. Utilizar tecnologias de maneira harmônica com o convício sem impactos ambientais.

62. Estimular a presença consciencial, a hiperacuidade, a atividade física, o discernimento informacional e a sustentabilidade dos próprios pensenes.

63. Aprender a trabalhar as próprias energias, visando à desintoxicação holossomática, social, planetária e multidimensional, reconhecendo o parapsiquismo como ferramenta fundamental da leitura da qualidade destas energias.

64. Priorizar a obtenção de recursos para a sobrevivência com qualidade de vida de fontes próximas ao local de consumo.

65. Estabelecer marco lógico da integração e do desenvolvimento sustentável da região trinacional no contexto da Resolução no. 41/97 do Grupo Mercado Comum do Mercosul, que instituiu o Pólo Turístico Internacional do Iguassu, evitando obras de infra-estrutura que comprometam nosso patrimônio geográfico, turístico e paisagístico.

66. Utilizar o turismo como meio para a sustentabilidade a partir da ética do cuidado, combatendo os equipamentos turísticos para exploração sexual de crianças e adolescentes: o desvirtuamento do mundo do trabalho pela informalidade e trabalho de crianças e adolescentes; a descaracterização de comunidades e culturas locais; os impactos socioambientais e a descaracterização de sítios simbólicos.

67. Desenvolver a cultura da hospitalidade.

68. Implementar tecnologias para o aproveitamento de energias renováveis.

69. Preservar os fragmentos florestais remanescentes, bem como elaborar e aplicar uma política de reflorestamento, promovendo sempre que possível a conexão entre os fragmentos.

70. Fomentar a reflexão sobre o isso excessivo da carne, instituindo ao modo de exercício a prática de passar pelo menos um dia por semana sem carne.

71. Contribuir para a segurança e soberania alimentar.

72. Estimular a cultura de paz.

73. Comprometer-nos para que no máximo até o II Fórum de Responsabilidade Planetária esta Carta resulte num Plano de Ação.

Cognópolis / Foz do Iguaçu, 30 de outubro de 2011
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