domingo, 25 de outubro de 2015

Lembrando: Entrevista com Waldo Vieira em 2009

Com Waldo Vieira no dia da entrevista (abaixo) feita
 para a Revista 100 Fronteiras em Junho de 2009



Waldo Vieira: o menino de Monte Carmelo (MG) conquistou o mundo
A vida está na sua mão. Há uma programação existencial. É possível não desviar-se dela e chegar aonde se quer

Jackson Lima
Fotos Lílian Grellman



Waldo Vieira tem 77 anos. Nasceu em Monte Carmelo, Minas Gerais em 1932. “Monte Carmelo era uma cidade pequena que ficava perto de tudo mas nada entrava nela”, brinca. Neto do delegado da cidade e filho de um dentista prático com mãe professora, Waldo cresceu em ambiente de livros, música e curiosidade. Tudo que Waldo fala na entrevista vai se interligar. Por exemplo, a mãe se casou apaixonada e logo engravidou. Nasceu uma filha. Mas o pai nem chegou a ver a filha pequena. “Meu pai começou a pular a cerca logo depois de casado. Como eles moravam com meu avô, ele, meu avô, mandou meu pai embora”, contou. Só 12 anos depois, e após o pai ter perdido uma perna devido a uma infecção causada por um bicho-de-pé, o pai e a mãe voltam a viver juntos. Aí nasceu o segundo filho do casal: Waldo Vieira. O processo de parto foi difícil. O menino foi tirado à força de fórceps. “Minha cabeça rachou” conta. Isso será muito importante.          



Vinte e dois antes do nascimento de Waldo Vieira, também em Minas Gerais, nasce um menino chamado Chico Xavier que todo o Brasil conheceria e idolatraria no futuro. A Revista 100 fronteiras quis saber: quando o Senhor conheceu o Chico Xavier?  Este é o tipo de pergunta que não se faz especialmente  por  quem não quer uma resposta completa. “Eu conheci o Chico, mesmo, em 1955”, e acrescenta “começamos a trabalhar em 1956. Recebíamos mensagens e assim escrevemos dois livros naquele ano”. Porém, esta é uma resposta parcial. Esse foi o encontro com Chico nessa vida, nessa dimensão ou, como chama Waldo Viera, no intrafísico. A história no extrafísico, quer dizer no outro lado, é mais longa e dá uma idéia do aspecto multidimensional da existência.         



Outras vidas, outros mestres



Na Espanha, Waldo Vieira foi filho de Chico Xavier.  Deixemos que ele explique: “Ele era mulher na Espanha, em Mataró* e eu fui filho dele. Mas devido a todo um processo de energia e a situação da região, os ciganos nos roubaram, roubaram a mim e outra menina e saíram da Catalunha”. Ele e essa menina eram explorados, trabalhavam em shows na estrada e por fim foram assassinados pelo bando quando tinham oito anos. Aí, vem mais uma revelação: “A menina é essa que vive comigo hoje, a minha mulher”. Esse processo “problemático” ligou os dois meninos roubados. “Por isso fizemos uma dupla evolutiva” – quer dizer, por isso estamos juntos hoje (dupla quer dizer casal na linguagem criada para evitar repetir palavras e conceitos caducos e “dupla evolutiva” quer dizer um “casal evolutivo"). A menina é a psicóloga e escritora Graça Razera, esposa do professor e pesquisadora do CEAEC.      



Ele vai mais longe. “Eu trabalhei 214 anos para ajudar o processo de Chico Xavier que era Juana a Louca, [parte de] uns processos que vinha da Espanha, da monarquia”. Quando ele nasceu como filho do Chico que era mulher, o propósito era ajudar. “Mas em vez de ajudar esses ciganos me roubam, ele fica doido e morre logo depois”.  



De volta ao século passado e a esta dimensão planetária onde vivem os corpos físicos, Waldo Vieira revela que a ligação entre ele Chico prosseguia. Ele continuava ajudando a Chico Xavier quando Xavier renasceu. “Em 1910 ele renasce. Eu então procuro ficar firme ainda para ajudá-lo. Ajudei-o a renascer e até o primeiro semestre de 1931”. E o que aconteceu? Em seguida, Waldo renasce ou ressoma (reencarna). Mas antes de ‘ressomar’ Waldo passa uma pessoa que era ligada a ambos durante todo esse tempo: Emmanuel – uma consciência extrafísica que ajudava Chico Xavier, o guia espiritual dele. “O Chico mesmo falou de uma consciência que ajudava até 1931. Pouco antes de me conhecer o Chico já tinha falado isso. Já estava escrito, todo mundo sabia disso”.      



Nascimento, vida e lucidez



Para o cidadão comum que sonha, desde criança, com a aposentadoria, 77 anos é tempo demais. Não para Waldo Vieira. Duas faculdades no Brasil, um especialização no Japão, a formação de uma biblioteca de 9.800 volumes em Uberaba e mais livros no Rio de Janeiro e outras cidades. Sem falar na criação de uma coleção imensa de tudo que inclui selos, conchas, discos, gibis, curiosidades dos habitantes da terra, cinema, cartazes. Tudo isso demanda dinheiro. Trabalho e tempo. “No Japão estudei com o Dr. Rin Sakurai que detinha a técnica da plástica sem cirurgia”, revela. De volta ao Rio de Janeiro, Waldo trabalhou com a técnica e atraía os endinheirados, artistas e atrizes. “Cobrava o mesmo que os grandes nomes, como o Pitanguy e os melhores”, relembra e afirma “em três anos tinha feito o meu pé de meia. É por isso que posso falar. Sem dinheiro a gente não pode falar independentemente” Com a vida financeira organizada, Waldo passou a pesquisar, viajar e estudar.  Esse capítulo da vida durou três anos. Fechou a clínica e partiu para viagens. “Nos Estados Unidos, estudou com gente da bolsa sobre investimentos e de Hollywood sobre técnicas de relacionamento comercial. Ele tinha que financiar os estudos e pesquisas. “Precisei de 19 anos para fazer o livro Projeção da Consciência” – cita como exemplo. 



A palavra lucidez é muito importante nos estudos do pesquisador e hoje para toda as pessoas que acompanham o estudo da consciênciologia. Como o Senhor conquistou esta lucidez? – quer dizer esperteza mental. Lembra do parto difícil e da rachadura da cabeça por causa dos fórceps?  Veja o que ele diz: “Por causa da cabeça eu chorei durante 11 meses. O processo do parto foi difícil. A cidade não tinha médico, só havia parteira. Tive pneumonia dupla. Minha mãe perdeu leite daí arranjaram a mulher que me amamentou”. E o que tem a ver o choro com a lucidez mental? Ele explica: “Esse negócio do choro, choro e respiração, está provado, o médico precisa dar umas palmadinhas para que a criança respire. Ela saiu do útero e vem para esta dimensão. Quanto mais a criança chora, mais vívida, mais lúcida mais desperta devido ao oxigênio. No meu caso eu chorei 11 meses em vez de chorar só naquele momento. O oxigênio foi para a minha cabeça, por isso eu fiquei mais lúcido por causa do processo do choro. Logo comecei a querer falar, caminhar”. Essa quantidade aparentemente excedente de oxigênio se chama hiperventilação e já há técnicas que a usam para atingir estados de consciência “diferentes”.   







Chico e Waldo Vieira



Após a morte do pai, Waldo Vieira teve que levar a mãe e os irmãos para Uberaba. “Minha mãe pediu que eu levasse o Chico também. Ela gostava muito dele e ele gostava dela”, disse. Em Uberaba começou o trabalho que todo mundo conhece. Os livros publicados e a criação de entidades como a Comunhão Espírita Cristã uma editora criada para publicar os livros do Chico Xavier. Trabalharam juntos durante 10 anos. O Chico sabia que eu iria deixar ele um dia para fazer o meu trabalho. “Eu disse a ele, vou te ajudar até você sair dessa”, contou falando de problemas familiares que Chico tinha. Eu queria fazer o meu trabalho. Eu queria ter saído uns quatro anos antes. Mas fiquei por causa de minha mãe”, confidenciou. Em 1965 Waldo Vieira e Chico Xavier fizeram uma viagem para a Europa. Durante essa viagem, segundo Waldo, o Chico não queria voltar para o Brasil. “A Inglaterra era um lugar muito bom para médium. Eram respeitados”, de qualquer maneira, Chico decidiu voltar e Waldo anunciou que ele não voltaria. Seguiria o caminho de suas pesquisas. “Deixei o Movimento Espírita em 1966 com 26 livros publicados, 17 deles com Chico Xavier”, explica.



A Infância


   

“Uma das primeiras coisas que falei foi: “minha mãe e meu pai, fui eu quem juntou vocês senão eu não podia nascer. Eu não viria pra cá” – relatou. A mãe se surpreendeu e disse “menino, quem falou isso?”.   Até os três anos muito disso aconteceu. Um dia ele disse aos pais que estava vendo um homem grandão que morava em uma casa onde havia uma cama grande. Ele gostava do grandão e da mulher dele. A  família morava num terreno que tinha sido cemitério. “Passei a infância nessa casa”, diz.  Um dia, a família ia para algum lugar quando o pequeno Waldo começou a gritar: “ É aqui. A casa era aqui. Havia uma casa aqui. Tiraram a casa”. De novo a mãe se surpreendeu. Como esse menino sabe dessa casa? Isso foi antes de eu nascer. A casa era do grandão que ele via. O grandão era um tio que falecera muito antes. A casa foi desmanchada após um incêndio.       



Em 1939, ele se lembra como hoje, a Primeira Guerra Mundial tinha começado. O pai se sentava na sala. “A cidade toda vinha conversar com ele, ele era bom de papo. E eu, com sete anos, me sentava na perna artificial dele enquanto ele ouvia notícias pelo rádio”. Nesse ambiente aconteceu algo relevante. O pai perguntou ao menino por que ele não gostava de dormir. O menino respondeu ao pai: “há um homem que não gosta do senhor e ele perguntou como é ele? Eu disse é banguela falta todos os dentes. Na hora que falei isso foi uma celeuma danada”.



Na hora o pai lembrou de quem se tratava. “Esse homem era apaixonado por uma prostituta que gostava de meu pai. Daí, um dia ele ficou esperando meu pai numa cilada ou tocaia para matar. Meu pai deu um tiro e matou. Tudo ficou por isso mesmo. Lá naquele tempo era assim como Serra Pelada” – explicou. A reação do pai foi a mesma: “como esse menino sabe disso? Aí todos entenderam que ele tinha algo a ver com o espiritismo.      



Em 1941, com nove anos, ele viu que o irmão mais novo dele, muito doente, estava sendo ajudado por uma equipe extrafísica e que à frente dela estava um médico.  Isso foi quando uma médium espírita, Dona Maria, esposa do sargento local fazia sessão para ajudar o irmão caçula que era franzino devido ao que Waldo chama de “processos de maternagem de minha mãe”.  Waldo Viera, foi trancado em um quarto para não perturbar. Foi lá do quarto que ele viu o médico. A médium sentiu e disse: “menino está ajudando”. Waldo continua: “quando acabou a sessão eu dei um grito. Eu vi tudo que aconteceu! Vi um doutor que está ajudando ao meu irmão. Meu irmão não vai morrer não. Ele tirou coisas da cabeça dele”. O pai perguntou se dava para desenhar o médico. “Nessa época eu já desenhava” – salientou. Dias depois, o sargento, ao saber que o menino tinha desenhado, pediu para ver a foto. Era a foto de um conhecido doutor mineiro já falecido.



Ajudado por pessoas que viram o potencial do menino, Waldo logo deixou a pequena Monte Carmelo e foi para Uberaba estudar em um internato. Ali passou 14 anos. Após o primeiro ano de internato pago pelo pai, veio a notícia de que ele teria de retornar a Monte Carmelo. O pai tinha ficado sem recursos. Waldo teria que trabalhar. Estava tudo organizado. O pai havia comprado, com esforço, uma bicicleta e estava tudo acertado para Waldo trabalhar de carteiro. Ao escrever para Uberaba pedindo que a escola enviasse o enxoval, a diretoria da escola se rebelou e decretou: o menino é bom demais. Ele vai estudar e trabalhar aqui mesmo. “Me salvaram. Salvaram o meu processo intelectual”, adianta.  E assim foi. Logo vem a época de fundar centros espíritas, participar de entidades do Movimento Espírita como a União da Mocidade Espírita Área II, como secretário da Mocidade Espírita para o Brasil Central e São Paulo, fundar a Comunhão Espírita Cristã – como editora para publicar livros que a severidade das organizações espíritas não deixavam. Em 1996 ele deixa o movimento para fazer o seu trabalho. Hoje, em Foz do Iguaçu, há um conglomerado tão grande de organizações centradas na consciência que é preciso um mapa para orientação. Isso inclui mas de 70 disciplinas da consciência que fazem parte da ciência proposta da conscienciologia. E os campi das instituições já decolaram do Tamanduazinho (bairro de Foz) se espalharam para os quatro ventos da terra.    







Serviços:

CEAEC

Rua da Cosmoética, Tamaduazinho


www.mataro.org  (Site de Mataró, Catalunha)



Junho 2009 para Revista 100F
Nota: texto não atualizado




2 comentários:

Graça Razera Escritora disse...

Querido Jackson Só tenho a agradecer a você pelo respeito, pelo carinho com que sempre dedicou ao trabalho do Professor e ao meu também, que sempre correu em paralelo, em função de nossa grande diferença de idade (40 anos). Sucesso.

Jackson Lima disse...

Boa noite Graça, muito obrigado pelo comentário. O que precisar aqui de minha parte pode contar comigo. Um abraço e sucesso no seu brilhante trabalho.