sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A tecnologia do silício está chegando nos limites quânticos da matéria

Celso Pinto de Melo: "...entre 2020 e 2030 podemos ver o fim da eletrônica do silício ..."


Nota:
Esta "matéria" assinada por mim foi publicada no jornal A Gazeta do Iguaçu de Foz do Iguaçu. Reproduzo ao pé da letra.

Unila cria cátedra de Ciências Físicas e Novas fronteiras
Físico pernambucano, fundador da cátedra, falou 12 horas sobre convergências científicas

Terminou ontem o circulo de palestras da Cátedra Juan José Giambiagi de Ciências Físicas e as Novas Fronteiras Tecnológicas. A mais nova cátedra da Universidade de Integração Latino Americana (UNILA) fundada por Celso Pinto de Melo, Doutor em física, presidente da Sociedade Brasileira de Física e chefe do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco veio para espantar a quem estivesse pensando que a Unila só se interessaria por assuntos de integração latino-americana, sociologia das Américas ou antropologia das fronteiras. Durante três dias de palestras de quatro horas cada uma, Celso Pinto de Melo falou sobre os limites da nanotecnologia atual e demonstrou que as fronteiras entre ciências estão diminuindo e que a tendência é a eliminação de barreiras entre química, física e biologia.

“Dependendo da pesquisa o cientista tem que usar essas diferentes ferramentas científicas”, destacou. Para ele, o mundo vive na fronteira da nanotecnologia que é um exemplo clássico de necessidade de convergências de ciências. “No horizonte de 10 ou 11 anos ou entre 2020 e 2030 podemos ver o fim da eletrônica do silício e o início de um novo paradigma tecnológico” disse e acrescentou que uma característica importante da tecnologia moderna é a compactação – quanta informação a gente pode colocar num chip. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Física, a tecnologia do silício está chegando nos limites quânticos da matéria. “E insistir nesse paradigma pode ser inviável inclusive economicamente”, alertou.    
 
É nesse novo paradigma tecnológico que deve aparecer nos próximos 10 anos, que ele vê a necessidade de convergência da física, da química e da biologia. Como cabeça do grupo de pesquisa da UFPE, Celso e equipe estudam novas classes de materiais que podem conciliar as características dos plásticos com propriedades como alta condutividade elétrica. Esses materiais ultrafinos de moléculas orgânicas permitirão construir circuitos eletrônicos muito pequenos que poderiam ser usadas para fabricar telas de TV flexíveis, materiais biotecnológicos avançados capazes de, por exemplo, imitar a função de membranas e células.
  
 “Está se aproximando uma nova eletrônica. A eletrônica molecular” – predisse o professor. A reportagem queria saber se o professor poderia adiantar alguma tecnologia específica, ou dizer se os próximos anos poderiam ver chips maleáveis, finos e que pudessem ser passíveis de serem usados no corpo. “Não há nada que eu seja capaz de prever ou visualizar em termos de produtos e materiais finais”, respondeu reafirmando que sabe que a fronteira tecnológica se aproxima.    

As oportunidades para o Brasil são imensas já que a nanotecnologia já é usada hoje na medicina, na eletrônica, na computação, na engenharia dos matérias e nas ciências convergentes como a física, a química e a biologia. A Cátedra da Unila dedicada às Ciências exatas quer passar a mensagem sobre a necessidade de popularizar a importância da ciência para o Brasil. “O Brasil tem grandes oportunidades de nas próximas 3 ou 4 décadas de se tornar uma sociedade mais justa”, disse Melo. Ele destacou que a ciência no Brasil chegou à maturidade e está pronta para ajudar o país desde que haja programas e orientação a solucionar problemas da sociedade. “Já é uma oportunidade de mais uma convergência de ciências. A Convergência da física, da química, da biologia com a sociologia. Uma convergência tecnológica e social”, pontua.                     
Na área da física de partículas elementais que o preofessor classifica de física do Século XX, ele diz que o Brasil também tem uma participação importante. “Mas essa é uma física que quer respostas sobre o comportamento de partículas em alta energia”, disse lembrando que só ultimamente, um consórcio europeu conseguiu uma superestrutura na fronteira da França com a Suiça para provocar a colisão de partículas. 

“Nós temos cientistas brasileiros cooperando nessa área mas digo que é uma área extremamente cara e nenhum país, nem mesmo os Estados Unidos conseguiu fazer um colisionador de partículas. Todos funcionam na base da cooperação internacional”, explicou. Ele lembrou que a física neste nível trará muitas repostas ainda. Mas não é o caso da física do uso prático que explica que dois carros colidem após violar certas leis descritas por ela. “Não é o caso do Ronaldinho que quando vai chutar a bola o que importa para ele é que a bola seja bola e não quer nem saber sobre a mecânica quântica dela”, brincou.          

Foto
(Professor Celso) Prof. Celso Pinto de Melo da Sociedade Brasileira de Física (Captada de vídeo do autor no Youtube)

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