Comunicação e idiomas

Parte I Comunicação


Este é um tema de um blog meu - o COMEJOR. A idéia é unir em um só espaço as três coisas que mais gosto: idiomas, comunicação e jornalismo. Englobando tudo o que está envolvido: lingua e linguagem; comunicação como ciência e jornalismo em uma abordagem profunda de olho nos pecados como a manipulação, ideologias e discursos. Estou meio perdido nesse blog mas é urgente que faça alguma coisa nele. As três últimas disciplinas mencionadas estão no âmago do que este blog denuncia: a manipulação da sociedade.

Um texto da época

Eu estava em Buenos Aires, curtindo os meus últimos momentos na redondeza da Rodoviária Internacional de Retiro, quando dei de cara com uma revista em uma banca de jornal. "Idiomas y Comunicación", idealizada e editada pelo jornalista Jaime Marín. Gostei da revista porque ela parece ser algo que eu gostaria de estar fazendo que é trabalhar em uma área de comunicação que se interesse pelos idiomas. Nas faculdades de jornalismo, a questão do idioma é "monocultural", "monolíngüe". Me lembro que nas aulas de teorias da comunicação, tanto alunos como professores, pulavam os nomes de autores, escritores e conceitos que não estivessem em português. Já pensou pular a palavra "führer", Geselschaft ou Gelegengeheit porque não se sabe pronunciar? Uma tragédia!

Tenho sentido que no Brasil quando se fala em idioma, as pessoas querem saber se você é linguista, confundindo linguista com poliglota. A idéia do jornalista argentino me dá uma saudável inveja. A edição que tenho em mãos, é a de janeiro /fevereiro de 2005. Na capa uma reportagem sobre o III Congreso de Identidad Lingüística realizado em Rosario. Dentro, entre muitas outras coisas, gostei de um estudo da Dra. Alicia Maria Zorrilla com o título "La lengua como espectáculo" (A língua como espetáculo). Tratava do uso da lingua na imprensa esportiva e policial. Um exemplo do texto espetáculo policial:

... "Tres hombres armados asaltaron una fiambrería (fábrica de frios)en Ramos Mejía pero fueron detenidos por la policia luego de protagonizar una espectacular persecución seguida de tiroteo. [...] Un patrullero [...] que recorria la zona observó la acción de los cacos (ladrões, gíria) y comenzó a perseguirlos bajo una lluvia de balas..."

A autora da palestra apresentada no III Congresso de Rosário, citou um pensador espanhol (Jesús Castañón Rodríguez) que falou de uma "perda da autoridade comunicativa a favor do iconográfico" e de um neo-conceito de "captar a atenção do leitor para ver e ler, em vez de ler e imaginar".

É só um exemplo do trabalho da publicação que mistura comunicação e línguas. A revista é financiada por uma série de escolas, institutos e entidades de jornalismo, linguas, comunicação para a formação de jornalistas, tradutores, revisores de textos e uma série de outros campos. Aqui no Brasil, precisamos de tudo isso inclusive espaços para divulgar as nossas pesquisas sobre línguas, imprensa e espetáculo. Aqui também vemos assaltantes empreendendo fuga, acelerando em rua sem saída e, no final, entrando em óbito.

Parte 2 Idiomas

Como sempre fui, no tocante a recursos, da classe média baixa e às vezes da classe média miserável, é claro que eu nunca estudei línguas em escola nenhuma. Mas de cara, aviso, ensinei linguas em boas escolas de idiomas: Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU), Escolas Fisk e em colégios estaduais em Alagoas e no Amazonas. Fui e sou tradutor e produtor de conteúdo em vários idiomas e já fiz palestras em navios de cruzeiros.
Foi a maneira de frequentar o mesmo espaço das classes mais altas. Inglês e espanhol foram minhas primeiras "segundas línguas" que aprendi autodidaticamente. Note que há uma diferença entre língua estrangeira e segunda língua. Inglês e espanhol são segudas linguas para mim. Se eu fosse esperar ter tido condições para estudar linguas, eu não saberia, hoje, lingua nenhuma. Hoje vejo que não é fácil aprender uma língua com ajuda de um livro. Hoje vejo que isso demanda força de vontade e disciplina. Vejo a população hoje com internet, livros, youtube, facebook, tradutor Google, Altavista etc e não vejo muita gente utilizando esses recursos para aprender idiomas. Por isso, hoje já me érmito me elogiar: parabéns Jackinho!

O começo

Quando eu tinha quatro ou cinco anos, minha família mudou de religião. De católica para testemunha de Jeová. O bom disso, foi que minha casa passou a ser um centro de encontro de "irmãos" viajantes: canadenses, americanos, alemães, gregos. Isso significou para mim a oportunidade de vê-los lendo. Me especializei, então, em técnicas de xeretar para ver o que liam. Geralmente eram as revista A Sentinela ou Despertai! Mas ao chegar perto via, no caso da A Sentinela que uma se chamavam La Atalaya, The Watchtower, La Tour de Garde etc. Essa foi a semente de meu interesse. Eu não aceitava ver algo escrito diante de meus olhos, sem que eu identificasse o que era. Um dia uma (algo como) missionária foi transferida. Ela tinha uns 50 anos. E deu a mim, um menino de seis ou sete, um saco de livros. Ela se chamava Etelvina Machado. Fiz uma seleção e escolhi tudo o que era estrangeiro e de preferência o que tivesse uma cópia em português. O restante meu pai sugeriu que fosse doado. O livro "Novos Céus e Uma Nova Terra", por exemplo, tinha equivalentes em espanhol (Nuevos Cielos y una Nueva Tierra) e em inglês (New Heavens and a new Earth). Achei vários outros. Um que se chamava "Ni kan få overleva Harmaggedon in i Guds Ny Varld" (podeis sobreviver o Armagedom para o Novo Mundo de Deus) que descobri depois que era sueco (o que escrevi acima em sueco ainda é o que me lembro do livro. Até hoje não sei sueco. Em seguida comecei a ler o espanhol por ser mais fácil, pronunciando à maneira alagoana. Daí um dia, apareceu o pai da Etelvina. Ele se chamava Emetério e ele me deu um novo testamento em espanhol. O problema da pronúncia continuou. Até que um dia apareceu a familia Fontao. Espanhóis de San Julian del Campo, da região de Taboada, província de Lugo. A dona Ester foi minha salvação e me ensinou a pronunciar os sons de ll, j, z, e outras letras da língua. Era época difícil na Espanha e famílias espanholas deixavam o país, em época de ditadura, e vinham trabalhar em um moinho de trigo em Maceió. Anos depois, já na Espanha, descobri que dona Ester era gallega (galega de Galicia) assim como é Lugo e toda a bela região. Descobri que era política do governo acabar com as línguas regionais como galego (sabia que o galego é sócio da lusofonia?), catalão, euskadi (basco) etc. Entendi o sofrimento da família que no exterior, não poda ssumir sua identidade como espanhóis de Galícia! Um abraço a família Fontao! Não demorou, e eu já me via trazendo chilenos, paraguaios, bolivianos, espanhois para a minha casa - a maioria bolsistas na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Inglês
Quando eu passei para o inglês, tudo recomeçou. Deslanchei nos estudos depois de convencer ao meu pai, Francisco Ferreira Lima a comprar uma coleção chamada "O inglês tal qual se fala no presente sem auxílio de professor" do professor M.Oliveira Malta. A coleção é uma relíquia e eu recentemente comprei um volume da obra no cebo Amadeu aqui em Foz. Foi o mesmo problema. Ao contrário de hoje que basta colocar uma palvara em sites como o answers.com e ele pronuncia a palavra para você, naquela época eu tinha que encontrar americanos, canadenses ou brasileiros que soubessem. Um dia andando de casa em casa, como as testemnhas fazem, bati em uma casa que decobri depois, era morada de freiras e padres católicos canadenses. Claro que eles getilmente me expulsaram. Um dia depois voltei. Antes deles me expulsarem, eu disse que precisava de uma ajuda. Como você pronunciam as seguintes letras e grupos de letras em inglês: "th" no começo de palavra, "th" no fim de palavra, o "r" no começo e fim de palavra, o "b", "t" o "w" e todo o resto do alfabeto. Puxei da bolsa um antigo e famoso livro chamado "From Paradise Lost to Paradise Regained" e mostrei a introdução onde se lia "To the Reader" (ao leitor) e onde eu havia destacado todas as dúvidas. Assim conquistei a freira, que falou com os padres que me deram carta branca para vir conversar com eles desde que eu não viesse pregar a minha barbaridade. Eles até me deram folhetos católicos em inglês. Mais tarde, eu passei a conhecer todos os estrangeiros que falavam inglês em Maceió - missionários católicos, pentecostais (suecos), batistas, mórmons, da Aliança para o Progresso, do Corpo de Voluntarios, da Salgema e petrobrás, de tudo quanto era missão. Por fim, encontrei uma pessoa especial. Arnaldo Pereira, paulista, mestre em inglês que veio em missão à terrinha e decidiu ajudar. Ele me deu dicionário, gramática e disse: estude! Uns seis meses depois ele veio cobrar. Falou comigo e eu ainda estava com inglês de selva e ele me disse: vou viajar, daqui a seis meses retorno. Se você não melhorou esta fuleragem de inglês eu vou tomar de volta todos os livros que te dei. Fiquei chateado! Como esse sulista vem humilhar a um alagoano dessa maneira? Me atraquei nos livros. Seis meses depois, ele anunciou que eu estava bem e que daí só tinha que continuar. Estudei ainda francês, italiano, alemão, japonês, sânscrito, grego moderno, russo e outros idiomas (isso não significa que eu fale. Mas o meu ganha-pão, o pão com manteiga sai da tríade português-espanhol-inglês. Mais sobre o tema Idiomas é discutido NESTE BLOG MEU sobre idiomas e línguas. Ele anda meio descuidado. contudo, vou recomeçar a alimentar o probrezinho!